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Detalhes das conversas que ligam lobista Roberta Luchsinger a Lulinha e ao Careca do INSS

Detalhes das conversas que ligam lobista Roberta Luchsinger a Lulinha e ao Careca do INSS

A Polícia Federal revelou, por meio de mensagens trocadas, que a lobista Roberta Luchsinger tentou envolver Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) em negociações de interesse de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde. Os negócios apontados incluíam a contratação de produtos de canabidiol e a aquisição de kits para combate à dengue, porém nenhum contrato foi efetivado. A investigação indica que a pressão ocorreu antes da mudança de Lulinha para a Espanha, prevista para 2025.

As mensagens fazem parte de uma investigação preliminar e de uma representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a abertura de um inquérito. Os documentos, mantidos sob sigilo, foram obtidos pela Folha. A PF destacou que a lobista teria atuado desde março de 2024 para acelerar as tratativas.

De acordo com o material analisado, Roberta manteve contato constante com intermediários e enfatizou a necessidade de envolver o filho de Lula para que as demandas fossem atendidas. Ela também buscou pressionar autoridades do Ministério da Saúde, indicando que a participação de Lulinha era crucial para a conclusão dos processos de compra.

Conversas de janeiro de 2025 e pressões sobre Lulinha

Em mensagem de 23 de janeiro de 2025, Roberta relatou a Gustavo Gaspar que Antônio Camilo estava pressionando para que os negócios fossem concluídos rapidamente. Ela escreveu que o empresário não teria a mesma disposição para cobrar diretamente Lulinha e acrescentou que era importante “o Fábio se mexer”. A PF interpretou a fala como indicativo de que “as demandas solicitadas por Antônio dependem da intervenção de Fábio”.

Gaspar, que também mantinha envolvimento nos negócios, ainda não teve acesso aos autos do inquérito, segundo seu advogado. As mensagens analisadas revelam que, naquele período, Antônio Camilo enfrentava dificuldades financeiras e precisava levantar recursos. Roberta comentou que tinha a sensação de que “a casa do Antônio vai cair”.

Alguns meses depois, Antônio Camilo tornou‑se alvo da Operação Sem Desconto, que investiga supostos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Ele está preso desde setembro do ano passado. Gustavo Gaspar também foi detido na operação e atualmente cumpre prisão domiciliar.

Novas demandas, urgência e pagamentos de 2024

No dia 27 de janeiro de 2025, Roberta buscou uma “solução para capitalizar” Antônio Camilo e pressionou Swedenberger do Nascimento Barbosa, então secretário‑executivo do Ministério da Saúde, conhecido como Berger. Em mensagem, escreveu “Correr para o Berger comprar isso logo”, referindo‑se aos kits contra a dengue. A PF destacou que a lobista associou a urgência à saída de Lulinha do país, anotando que “Fábio vai embora”.

Roberta também informou que Lulinha deveria deixar o Brasil até junho de 2025 e que sua participação seria necessária para viabilizar a compra. Fábio Luís mudou definitivamente para a Espanha naquele ano e, em janeiro de 2026, abriu uma empresa em Madri. As conversas continuaram nos meses seguintes, incluindo trocas com Marco Aurélio Ribeiro (Marcola), ex‑chefe de gabinete de Lula.

A PF identificou pagamentos realizados por Roberta em 2024 que totalizaram R$ 217 mil em despesas de Marcola, abrangendo faturas de cartão de crédito e financiamento de veículo. A defesa de Marcola negou qualquer participação em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde, afirmando:

jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de qualquer outro órgão do governo federal

. Os advogados ainda criticaram a divulgação parcial dos documentos, declarando:

A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro continua sem acesso à íntegra dos autos e do inquérito. Os vazamentos seletivos de trechos da documentação, em vez da totalidade do conteúdo, têm objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral

.

O caso segue sob sigilo, enquanto a Polícia Federal continua analisando as mensagens e os pagamentos para determinar a extensão da suposta influência de Roberta Luchsinger sobre Lulinha e os possíveis impactos nos processos de compra do Ministério da Saúde.

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