Em depoimento gravado no gabinete do ministro André Mendonça, o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro detalhou as condições de seu transporte entre unidades prisionais.
Ele afirmou ter sido conduzido com os olhos vendados, descrevendo a sensação de vulnerabilidade e a impossibilidade de observar o ambiente ao seu redor.
Além da venda dos olhos, Vorcaro relatou que o interior do camburão apresentava temperaturas elevadas, gerando desconforto físico durante o trajeto.
Propostas de delação e ameaças
O depoente contou que apresentou à Polícia Federal três propostas de delação premiada, todas rejeitadas, e que a recusa estaria vinculada à possibilidade de mencionar o diretor‑geral Andrei Rodrigues.
Segundo Vorcaro, os agentes encarregados da escolta ameaçaram que ele permaneceria preso indefinidamente caso citasse Rodrigues, reforçando a pressão para o silêncio.
Reação do Ministério Público e do STF
O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar
A declaração do ministro destacou que a oitiva contou com a presença de um procurador da República, mas que a Polícia Federal não participou.
Ele também informou que nenhum assunto relacionado ao ministro Alexandre de Moraes foi tratado durante o depoimento.
O relato de Vorcaro, ao comparar sua situação à do presidente venezuelano Nicolás Maduro, acrescenta um elemento de comparação internacional ao contexto de supostas intimidações.
