Em depoimento ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma série de declarações que apontam supostas torturas e acusações contra o diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Preso desde março, Vorcaro afirmou que pretende fazer uma “confissão pública” e que chegou a considerar “explodir todo o sistema”. Ele descreve uma estratégia de colaboração baseada em relatórios, dados de celulares, documentos bancários no exterior e mensagens trocadas com pessoas influentes.
Intimidações e relatos de tortura
Quando eu abro a porta eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá. Você querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’. Isso [ocorreu] em um transporte, quando eu saí de São Paulo, que ia vir para Brasília
Segundo o depoente, essa situação ocorreu durante um transporte de São Paulo para Brasília, quando ele descreveu a fala ameaçadora recebida.
torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando
Em outro trecho, Vorcaro afirma ter sido mantido por horas em condições que classificou como tortura, envolvendo falta de ar e esforço físico.
Acusações contra Andrei Rodrigues
O banqueiro apontou Andrei Rodrigues como alvo principal de suas acusações, alegando ter sido vítima de um complô e que possui informações capazes de atingir integrantes do governo Lula. Até o presente momento, Rodrigues foi o único integrante da direção da PF citado nominalmente.
Relacionamento e desconforto
Vorcaro negou que fosse amigo de Rodrigues, mas reconheceu que mantiveram contato em eventos sociais, incluindo encontros de charuto, eventos de família e Fórmula 1. Essa proximidade, segundo ele, gerou desconforto ao elaborar uma nova proposta de delação envolvendo fatos que poderiam afetar o diretor‑geral da PF.
A oitiva aconteceu na última quinta‑feira (27), a pedido do próprio banqueiro e sem a participação da Polícia Federal. O Estadão divulgou trechos do depoimento, e o UOL obteve a íntegra da declaração.
