O Centro Administrativo Municipal de João Pessoa, embora visto por muitos como um complexo burocrático, abriga o coração da Prefeitura, onde um desejo coletivo impulsiona a administração da cidade.
A Iniciativa Futuro, um projeto que visa um novo modelo de escola em tempo integral, desenvolve ações de contraturno escolar onde o aluno escolhe as atividades que deseja fazer, conforme destacado por Felipe Sarmento.
A Iniciativa Futuro é uma política educacional em tempo integral da Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa (Sedec-JP).
Felipe Sarmento divide essa política educacional em três pontos importantes para os alunos da Rede Municipal de Educação: ‘permanecer’, ‘descobrir’ e ‘construir’.
Permanecer: o vínculo com a escola
A etapa de ‘permanecer’ representa o vínculo com a escola. A Iniciativa Futuro atua como estratégia para incentivar a permanência escolar e valorizar a trajetória dos estudantes, considerando frequência, desempenho e incentivo financeiro.
A Iniciativa Futuro também oferece incentivo financeiro aos estudantes e suas famílias.
Os alunos do 8º ano recebem R$ 200 pela adesão, sendo R$ 100 resgatáveis e R$ 100 depositados em poupança. Pela frequência, são R$ 1.800 (divididos em nove parcelas), com R$ 100 resgatáveis e R$ 100 em poupança por parcela, totalizando R$ 2 mil.
Os alunos do 9º ano seguem o mesmo formato e recebem R$ 1 mil adicionais caso se matriculem no Ensino Médio após a conclusão do Ensino Fundamental II, totalizando R$ 3 mil. Os líderes dos 8º e 9º anos ainda recebem mais R$ 100 por mês em seu benefício de frequência, chegando a R$ 1 mil no final.
“O aluno tem que cumprir requisitos, tem que frequentar a escola regular, tem que participar dos clubes, zelar pelo espaço. Ele é agente fomentador, buscando outros estudantes para aquilo que ele ache interessante, não deixe de existir na escola. Mas, o Poupança de Futuro é só uma parte da proposta. O dinheiro é o resultado da escola interessante que o aluno tem acesso. Se fosse só pagar por pagar não teria alegria para ele ficar lá”, completa Felipe Sarmento.
Descobrir: ampliando experiências no contraturno
A etapa de ‘descobrir’ foca em tornar a escola um ambiente agradável e desejável para o aluno no contraturno. É um momento para ampliar experiências além das salas de aula convencionais, onde os estudantes podem escolher entre diversas atividades como esporte, cultura, robótica, inteligência artificial e leitura, percebendo novas possibilidades de aprendizagem.
O projeto não visa apenas ampliar o tempo do estudante na escola, mas mudar a forma como esse tempo é compreendido. A diferença começa pela possibilidade de escolha. No início do ano, os estudantes participaram da Feira dos Clubes, onde indicaram as atividades de seu interesse. Com base nessas escolhas, a rede buscou profissionais para conduzir os clubes, por meio de processo seletivo e edital, conforme a necessidade de cada unidade escolar. “O aluno é quem manda”, resume Raquel Dantas, coordenadora da Iniciativa Futuro.
Essa abordagem tira o estudante da condição de mero receptor e o coloca no centro da construção de sua própria experiência escolar, tornando-o protagonista. O contraturno se transforma em espaço de descoberta, experimentação e desenvolvimento de interesses que nem sempre são contemplados na rotina tradicional da sala de aula.
A proposta é que o tempo adicional tenha propósito, e para isso, busca-se construir a constância da participação. “A gente tem trabalhado a constância do aluno. Muitos diziam que eles não queriam participar das atividades, mas a gente tem criado essa constância, esse entendimento de que eu tenho meu momento para me desenvolver”, acrescenta Raquel.
Para Raquel, a inovação vai além da tecnologia, dos clubes ou do desenho da jornada ampliada. Há uma dimensão mais profunda na proposta. “A escola é um espaço para o estudante ser ouvido, respeitado, acreditado, abrigado. A gente se emociona muito em ver que está dando certo”.
Construir: autonomia e possibilidades para o futuro
Se ‘permanecer’ significa criar vínculo e ‘descobrir’ abre espaço para novos interesses, ‘construir’ é dar sentido às experiências vividas no presente. É quando a jornada escolar se transforma em autonomia, confiança, habilidades e possibilidades para o futuro.
Essa construção não é algo distante, mas acontece no presente. Para Priscila Dias, também coordenadora da Iniciativa Futuro, muitas crianças só enxergam novas possibilidades quando a escola oferece experiências que antes pareciam inacessíveis. “Muitos só veem a escola quando a gente começa a oportunizar novas vivências. Esses acessos que hoje a Iniciativa traz para o aluno”, ressalta.
A mudança começa na forma de ver a escola. Crianças que antes a associavam apenas à sala de aula e atividades tradicionais, passam a descobrir outros espaços de aprendizagem, como clubes, contraturno, plantão de estudos e atividades que elas próprias ajudam a criar.
O verbo construir se manifesta nas pequenas mudanças do cotidiano. Priscila relata ter visto alunos que, um ano antes, tinham dificuldade de permanecer em sala de aula devido à indisciplina, assumirem a liderança de atividades.
São mudanças que não se medem apenas em números, mas na rotina, na presença, na participação e na relação que a criança estabelece com a escola. “Não dá para medir em números. A oportunidade que eles têm, a gente sonhava com isso. É muito bacana chegar à escola e participar do que está acontecendo, ver eles engajados e isso também deixa feliz nossa criança”, finaliza Priscila.
A construção do futuro não se limita à conclusão de uma etapa ou à realização de um projeto de vida. Ela começa quando o estudante percebe que pode ser parte ativa de sua própria trajetória. Nesse encontro entre uma escola que oferece possibilidades e um estudante que acredita poder escolhê-las, o ato de construir deixa de ser uma promessa e se torna uma experiência do presente.
Fonte: joaopessoa.pb.gov.br