Um levantamento da Folha de São Paulo, que analisou 76 companhias listadas no Ibovespa, revelou que executivos enxergam 2027 como ano de potencial recessão. As declarações foram colhidas nas teleconferências de resultados do segundo trimestre. As preocupações abrangem diversos setores da economia.
O principal ponto destacado é o alto endividamento das famílias, que já começa a impactar serviços essenciais. CPFL Energia e Copasa reforçaram medidas de cobrança e ampliaram cortes de fornecimento perante a dificuldade dos consumidores em pagar suas contas. Na Copasa, são adotadas ações preventivas e mudanças nas condições de negociação de dívidas.
Setores de varejo também foram citados. Lojas Renner e Assaí Atacadista relataram pressão sobre o consumo, associada a uma Selic que permanece acima das expectativas estabelecidas para o período. As empresas percebem redução da demanda.
No âmbito financeiro, Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa, classificou o cenário como de
pequena recessão
. Essa avaliação ecoa a posição recentemente apresentada pelo economista e ex‑presidente do Banco Central Armínio Fraga. A perspectiva de instituições financeiras demonstra maior cautela.
Instituições como BTG Pactual e Santander também sinalizaram que um ambiente econômico mais complicado em 2027 está se tornando percepção disseminada entre agentes de mercado. O risco de inadimplência no crédito aparece como um dos principais desafios para o setor bancário.
O Boletim Focus projetou que a Selic termine 2027 em 12% ao ano e que o PIB cresça 1,5% no mesmo período. Para 2026, a expectativa é de expansão de 1,98%. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14% ao ano, mantida em dois dígitos desde 2022.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que o endividamento familiar atingiu 82% das famílias em julho, o maior nível da série. Aproximadamente 30% dos endividados estão inadimplentes, e 12% afirmam não ter condições de quitar as dívidas. Esses números ampliam o receio de aumento nos atrasos de pagamentos de empréstimos e financiamentos.
Com juros elevados encarecendo o crédito necessário para financiar operações, investimentos e expansão, e com a demanda reduzida, empresas de diferentes segmentos se preparam para um 2027 de maior cautela. O foco recai sobre o comportamento dos juros, do consumo e da inadimplência, componentes críticos para a saúde econômica.
