Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex‑assessor do presidente Lula, conhecido como Marcola, cobrou da lobista Roberta Luchsinger um quadro avaliado em 100 mil euros, aproximadamente R$ 600 mil, conforme mensagens apreendidas pela Polícia Federal. A cobrança foi feita por meio de troca de mensagens eletrônicas que foram analisadas pelos investigadores. O pedido surge no contexto de outras transações financeiras entre a lobista e o ex‑assessor, que já haviam sido divulgadas anteriormente.
Em conversa datada de 19 de dezembro de 2024, Marcola enviou a mensagem “E meu quadro?? Kkk”. A mensagem, ao incluir o riso “kkk”, foi interpretada pela defesa como indicativo de que não se tratava de uma cobrança efetiva. O conteúdo foi capturado nas investigações e divulgado pelos veículos de imprensa.
E meu quadro?? Kkk
Roberta respondeu que a obra seria entregue na semana seguinte e que prepararia a documentação necessária. Ela ainda mencionou que o quadro estava no “carrossel do Louvre”, reforçando o valor de 100 mil euros. A resposta indica que, na visão da lobista, a entrega ainda estava em andamento.
Outros benefícios apontados
Além do quadro, as mensagens analisadas apontaram que Roberta teria comprado joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil para Marcola. A compra das joias foi mencionada como mais um benefício potencial concedido ao ex‑assessor. Essa informação amplia o escopo das suspeitas de vantagens indevidas.
Em outra frente da investigação, a Polícia Federal encontrou uma conversa na qual Marcola recebeu de Roberta uma minuta de contrato relacionada ao Ministério da Saúde. O documento sugeria a existência de tratativas contratuais que poderiam envolver o ex‑assessor. A minuta foi citada como parte das evidências que apontam para possíveis influências institucionais.
Investigações sobre influência
Roberta Luchsinger é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e já se referiu ao filho do presidente como “irmão”. Lulinha, por sua vez, é alvo de três inquéritos da Polícia Federal que investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A relação entre a lobista e Lulinha foi destacada como elemento relevante nas apurações.
Um dos inquéritos apura se Roberta e Lulinha teriam atuado para facilitar contratos envolvendo medicamentos à base de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. As tratativas poderiam beneficiar o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Essa linha de investigação amplia o espectro de possíveis irregularidades ligadas ao caso.
Desdobramentos e inquéritos
A defesa de Marcola, representada pelo advogado Georges Abboud, contestou a interpretação das mensagens, alegando que o conteúdo foi parcialmente vazado. Abboud afirmou que não houve recebimento de obra de arte, joias ou qualquer outro objeto de valor por parte do ex‑assessor. O advogado destacou que a presença do “kkk” evidencia a ausência de cobrança real.
Importante esclarecer, entretanto, que nunca houve recebimento de obra de arte ou objetos de valor por parte de Marco Aurélio Santana Ribeiro. A própria referência à mensagem, sucedida de ‘kkk’, evidencia que não se trata de uma cobrança de fato. Marco Aurélio jamais recebeu o referido quadro ou qualquer outro
Com as diversas mensagens e documentos analisados, a Polícia Federal continua a investigar possíveis vantagens econômicas indevidas. O caso envolve não apenas o quadro, mas também joias, contratos e supostas influências no Ministério da Saúde. O desfecho dependerá da produção de provas adicionais e do andamento dos inquéritos em curso.
